Startup desenvolve couro vegano a partir de resíduos de alimentos

A startup mexicana de biotecnologia Polybion criou um novo tipo de couro vegano de alta qualidade utilizando como matéria-prima bactérias geneticamente modificadas e resíduos de alimentos agroindustriais.

Chamado de Celium, o biomaterial tem sido apontado como um substituto ao couro animal, devido às suas características únicas e alto desempenho, tendo grande potencial de utilização pela indústria da moda e automotiva.

Ao todo, a Polybion investiu cerca de R$20,5 milhões no desenvolvimento da tecnologia, processo que durou seis anos e culminou com a inauguração da “primeira instalação de biofabricação têxtil de celulose bacteriana em escala industrial do mundo”: uma fábrica de 1.347 metros quadrados, movida a energia solar e carbono neutro.

A startup espera atingir a capacidade máxima de produção em 2023 para atender à demanda de colaborações com marcas globais como H&M, Fossil e Karl Lagerfeld. 

Método de produção

Para produzir o couro vegano, a Polybion recorreu a bioengenharia: alterou os genes de bactérias para torná-las capazes de produzir novos biomateriais a partir de seus processos metabólicos.

No caso do Celium, a startup usa água e restos de alimentos agroindustriais para alimentar essas bactérias em uma unidade de fermentação industrial. 

Ao consumirem a glicose e frutose presentes nos resíduos alimentares, as bactérias os polimerizam, criando uma membrana de celulose na superfície da água. Esse processo dura cerca de 20 dias.

Em seguida, essa membrana é removida e transportada para ser estabilizada, de forma a interromper o processo de decomposição e, após esse processo, é curtida por um método que não utiliza cromo, em acordo com as diretrizes da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

Vale destacar que todo o processo de produção ocorre em um raio de 1,6 quilômetros, em Guanajuato, no México, onde está localizada a fábrica piloto da Polybion que, atualmente, tem capacidade de produção de 32,5 mil metros quadrados de couro vegano por ano. Para o quarto trimestre de 2023, é esperado que esse volume suba para 929 mil.

Diferencial sustentável

Foto: Polybion

O Celium apresenta uma série de benefícios sustentáveis.

A começar pela adoção de processos biológicos na sua produção – suas bactérias não exigem a ocupação de grandes terrenos, não emitem metano e não necessitam reposição diária de água.

Em comparação, por exemplo, o couro bovino utiliza aproximadamente 30 litros de água por pé quadrado, enquanto que o Celium consome cerca de 5 litros no processo de estabilização. Além disso, o processo de curtimento do Celium evita metais pesados como cromo.

Outra grande vantagem está no fato do Celium não conter PVC (policloreto de vinila) e  PU (poliuretano), componentes causadores de poluição micro-plástica que são amplamente utilizados na composição de outros tipos de couros sintéticos também considerados veganos.

Por fim, vale destacar o potencial de upcycling, com 1200 toneladas métricas de resíduos de frutas sendo processadas por ano, na capacidade máxima, o que evitaria a emissão de cerca de 3.000 toneladas CO2 na atmosfera. Nesse aspecto, a Polybion indica que a produção de Celium gera metade das emissões de carbono em comparação com tipos de couro provenientes de animais ou plásticos.

Não é à toa que, após 2023, os fundadores esperam escalar ainda mais a produção do biomaterial, aumentando-a em dez vezes, impulsionados pelo licenciamento da nova tecnologia que vem chamando atenção do mercado pelo seu potencial ambiental.

Fontes: Forbes | Bit Magazine

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