União Europeia apoia projeto que cria bioplástico a partir de alimentos

Cientistas da Universidade de Alicante e parceiros da Espanha, Itália, Alemanha, Suécia e Bélgica estão utilizando resíduos de romã, milho e outros alimentos para produzir bioplásticos, que serão utilizados na criação de peças sustentáveis para automóveis e outros segmentos.

O projeto, batizado de Barbara, recebeu da União Europeia 2,7 milhões de euros para se concretizar, e tem como principal objetivo reaproveitar resíduos de alimentos que teriam como destino o lixo.

Com esses resíduos, os cientistas estão desenvolvendo dois bio-poliésteres e duas bio-poliamidas com resistência térmica e propriedades estéticas. Os polissacarídeos são extraídos do subproduto da indústria do milho e os corantes naturais, óleos essenciais, moléculas antimicrobianas e agentes de reforço, são obtidos das cascas de romã, limão, brócolis, cenoura e amêndoa.

Os resíduos selecionados pelos pesquisadores para o desenvolvimento desses extratos foram escolhidos por conta de suas propriedades naturais. Os corantes de limão, brócolis e romã, por exemplo, fornecem uma gama de cores diferentes das sintéticas. Já o óleo essencial de limão oferece propriedades antimicrobianas para as peças, além de liberar um agradável perfume, característica interessante para alguns segmentos industriais. Além disso, a casca de amêndoa fornece uma aparência semelhante à madeira e conta com propriedades de reforço natural, melhorando a resistência do material.

Esses compostos naturais são transformados em filamentos e acondicionados em carretéis, facilitando a impressão 3D de maçanetas e painéis automotivos, por exemplo.

Os bioplásticos oferecem boas perspectivas para a sociedade e a indústria, por serem materiais bem recebidos pelos consumidores que, cada vez mais, apoiam empresas que investem em práticas de sustentabilidade ambiental.

Reaproveitar para evitar o desperdício

Segundo o Projeto Barbara, a União Europeia gera 110 milhões de toneladas de resíduos animais e vegetais todos os anos. O processamento dessa enorme quantidade de sobras e subprodutos da indústria agroalimentar representa um grande problema econômico e ambiental para a Europa. Por isso a urgente necessidade de projetos desta natureza, que combina redução de resíduos com a busca de tecnologias para o desenvolvimento de bio-aditivos e bio-resinas, como forma de ser uma alternativa aos polímeros tradicionais.

Alguns testes já foram concluídos com sucesso e as empresas FIAT e Acciona assinaram como usuários finais e responsáveis pela validação de peças. O projeto Barbara começou em 2017 e está programado para ser concluído em abril deste ano.

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