Cientistas reduzem impacto ambiental de fertilizantes agrícolas

Pesquisadores do campus de Araras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram uma pesquisa voltada para o desenvolvimento de materiais destinados ao encapsulamento de fertilizantes visando torná-los mais eficientes e reduzir seu impacto ambiental.

O estudo vem sendo conduzido desde 2014 e conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Atualmente, os resíduos de fertilizantes, pesticidas e reguladores de crescimento inseridos no solo pela agricultura consistem em um grave problema ambiental, especialmente em unidades produtivas de grande escala.

Geralmente esses agroquímicos são aplicados em quantidades muito maiores do que necessárias para compensar possíveis perdas por volatilização, solubilização e lixiviação do solo. Além disso, poderiam ser substituídos por alternativas mais sustentáveis e com menor impacto ambiental.

Uma solução para reduzir a quantidade de fertilizantes, ter mais eficiência e diminuir o impacto ambiental é encapsular os nutrientes em revestimentos biodegradáveis, que garantam a sua liberação controlada e gradativa no solo.

“Os fertilizantes são constituídos por sais muito solúveis, facilmente carregáveis pelas chuvas. O encapsulamento possibilita que sejam liberados de forma controlada e gradativa, permitindo reduzir a quantidade utilizada e o desperdício”, explicou Roselena Faez, pesquisadora.

Fertilizantes de eficiência aprimorada (EFFs)

De acordo com Faez, o encapsulamento adequado é indispensável para se obter os “fertilizantes de eficiência aprimorada”- EFFs, na sigla em inglês.

Para serem denominados dessa forma, eles devem seguir alguns parâmetros: a liberação de nutrientes e sua absorção pela cultura; a biodegradabilidade do material de revestimento; e a relação custo-benefício do produto.

No caso da UFSCar, o material selecionado para compor o revestimento foi a quitosana, um polímero de base biológica, abundante, renovável e fácil de se obter, uma vez que é produzida a partir da quitina, um polissacarídeo presente nos exoesqueletos dos crustáceos e em revestimentos de insetos e micélios fúngicos.

“A quitosana possui propriedades mecânicas muito boas, aliadas à capacidade de formar géis, fibras, filmes e microesferas, que possibilitam as mais diversas aplicações. É extremamente atraente devido à sua biocompatibilidade, biodegradabilidade e não toxicidade”, explicou a pesquisadora.

A fase atual do estudo que foi divulgado se baseou no estudo dos processos de liberação e biodegradação dos nutrientes, tendo resultados inéditos na literatura.

Sendo assim, o grupo segue realizando pesquisas para entender o efeito dos nutrientes, seu tipo e quantidade no processo de biodegradação.

“Estamos trabalhando com macronutrientes essenciais (potássio, nitrogênio e fósforo) e também micronutrientes (cobre, manganês, ferro etc.), avaliando o sistema microbiológico do solo durante e após a biodegradação do polímero”, explicou Faez.

Confira o artigo completo no portal ScienceDirect.

Fontes: Revista Amazônia | Fapesp

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