Governo exige que mineradoras deixem de usar barragens no estilo montante

Modelo ultrapassado era utilizado em Brumadinho e Mariana, locais de importantes desastres ambientais.

Após a tragédia de Brumadinho, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles defendeu que mineradoras deixem de utilizar barragens no estilo “montante” como as da Vale, que após se romper causou sérios danos ambientais, provocando a morte de 150 pessoas e o desaparecimento de 182.

Segundo o Governo, o sistema adotado nas barragens de Brumadinho, Mariana e mais 10 outras cidades de Minas Gerais (MG), apesar de mais barato, já é ultrapassado e menos seguro que outros modelos adotados na Europa. Isso porque, o estilo “montante” consiste em camadas de rejeitos depositadas em um vale que aumentam a altura da barragem conforme o excesso de volume da mesma. Portanto, sem os cuidados necessários e manutenção constante no local, o risco de um rompimento é grande.

DigitalGlobe/AP

Ainda de acordo com o ministro, não há como manter esse modelo que apresenta grandes falhas em sua aplicação. Portanto, o Governo, em reunião com a mineradora Vale determinou a implantação de barragens de sistema “dry”, ou seja, seco, mais caro e seguro para as comunidades próximas às minas. Além disso, Salles ressaltou que as indústrias mineradoras devem agir rapidamente e adotar medidas para identificar possíveis falhas nas barragens existentes.

Resposta Vale

Após o rompimento da barragem na Mina do Córrego do Feijão, o diretor-presidente da mineradora Vale, Fabio Schvartsman, informou que a empresa irá interromper as minerações próximas a barragens de rejeitos na região de Mariana e Brumadinho.

Além disso, Schvartsman afirmou após reunião com o ministro do Meio Ambiente, que desativará 19 barragens com o sistema “montante”. Porém, essa ação não é imediata, o processo deve se estender por cinco anos.

Até que todas as barragens estejam livres do risco de se romperem, a Vale irá paralisar a produção e mineração nos seguintes locais: complexo Paraopeba (Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira) e no complexo Vargem Grande Jangada (Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá).

Desativação das Barragens

Com a iniciativa de descomissionar as barragens, a empresa deixará de produzir 40 milhões de toneladas de ferro, o que representa 10% da produção anual do minério, exportado massivamente para a China. Porém, a Vale informou que barragens úmidas, como as de Brumadinho e Mariana já não são mais utilizadas pela empresa.

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