Por que a Austrália se recusa a desistir do carvão?

Em um mundo que está correndo contra o tempo para reduzir a poluição, a Austrália é uma exceção. Além de ser um dos países mais sujos per capita, é também um grande fornecedor global de combustíveis fósseis. Excepcionalmente para uma nação rica, ainda queima muito carvão para manter a maior parte de sua eletricidade. E não parece interessada em mudar esta realidade.

A meta de emissões da Austrália para 2030 é a metade da meta dos EUA e Reino Unido. A capital, Canberra, também resistiu em se juntar aos dois terços dos países que prometeram emissões líquidas zero até 2050. E, em vez de eliminar o carvão, o pior combustível fóssil, está empenhada em cavar mais.

Lealdade à indústria e influência do setor de mineração

A mineração ajudou a impulsionar a economia local durante décadas e o carvão continua sendo a segunda maior exportação do país. Apenas a Indonésia vende mais carvão do que a Austrália globalmente.

As exportações totalizaram 40 bilhões de dólares no ano passado e o governo credita ao carvão grande parte da riqueza. Tanto que, ao invés de colocar um preço no carbono ou restringir as emissões dos produtores de combustíveis fósseis, aprova novas minas e fornece subsídios fiscais às empresas do segmento. Embora a maioria dos cidadãos deseje uma ação climática mais dura, algumas cidades carboníferas têm eleitores que são essenciais para vencer as eleições.

Perseguindo um mercado que só encolhe

A Austrália argumenta que o carvão continuará a gerar riqueza nacional nas próximas décadas, já que ele aumenta a demanda na Ásia, especialmente nas economias em processo de industrialização. Tanto que a China e a Índia, sozinhas, respondem por 64% do consumo global. A demanda na Indonésia e no Vietnã também aumentou. No entanto, os maiores compradores do carvão australiano, o Japão, a Coreia do Sul e a própria China, prometeram metas líquidas zero até meados do século.

Perdendo a oportunidade verde?

Como um dos continentes mais ensolarados e ventosos da Terra, o país está em uma posição única para se beneficiar economicamente de seus abundantes recursos naturais, afirma a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Além disso, suas indústrias também estão bem posicionadas para atingir novos mercados de exportação, como aço verde e alumínio. A economia por lá é estável e bem diversificada para absorver a perda dessas exportações.

No entanto, defensores do carvão dizem que os trabalhadores poderiam minerar os minerais raros necessários para baterias e ímãs que irão alimentar as redes de energia renovável. Além de se retirar do Fundo Verde para o Clima da ONU, o governo cortou gastos com energias renováveis ​​nos últimos anos e não há uma meta nacional de energia limpa.

O uso de carvão já despencou nas nações ricas e muitos bancos se comprometeram a parar de financiar projetos que contem com este recurso. A Austrália poderia encerrar sua relação tóxica e rapidamente se tornar uma superpotência das energias renováveis, aproveitando as inúmeras oportunidades dessa transição. Mas, na contramão do mundo inteiro, parece estar bem confortável com isso, ainda que fique menos rica e segura.

Fonte: BBC

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