Foi dada a largada! Brasil rumo a produção de hidrogênio verde

O Brasil está prestes a entrar no mapa global de produção de hidrogênio verde (H2V), combustível limpo com potencial para atender à demanda do setor elétrico e automotivo com baixo impacto ambiental.

Até o final de 2022, a EDP Brasil, uma das líderes do setor de energia do país, deve iniciar as atividades de uma unidade-piloto de produção de H2V em São Gonçalo do Amarante, no Ceará, que utilizará energia fotovoltaica e terá capacidade de produzir 22,5 quilos (kg) de hidrogênio por hora. O investimento previsto é de R$41,9 milhões.

O hidrogênio verde produzido na usina-piloto será utilizado para substituir parte do carvão mineral que abastece a Usina Termelétrica do Pecém (UTE Pecém).

“É um projeto de pesquisa e desenvolvimento que [P&D] que nos permitirá entender o ganho energético proporcionado pelo hidrogênio, com poder energético mais de quatro vezes superior ao do carvão”, diz Cayo Moraes, gestor de operações da EDP.

Dessa forma, a usina-piloto de H2V permitirá à companhia observar a viabilidade técnica, regulatória e econômica da produção do combustível.

Com a inauguração, é esperado que a unidade forneça subsídios necessários para a decisão sobre a implementação de uma planta em escala industrial no estado. Caso isso ocorra, o hidrogênio verde poderá ser exportado para companhias energéticas de outros países, abastecer empresas industriais e gerar combustível para veículos.

Processo de fabricação

O processo de fabricação do hidrogênio ocorre por meio da eletrólise da água, um processo químico que consiste em utilizar uma corrente elétrica para decompor a água em seus constituintes, hidrogênio (H, formando H2) e oxigênio (O, formando O2) existentes na molécula de água (H2O). 

Quando a eletrólise utiliza fontes renováveis de energia, como solar, eólica ou biomassa, o hidrogênio é classificado como verde.

Vantagens do H2V

O hidrogênio é o elemento mais abundante do Universo, não é tóxico para o meio ambiente e se dissipa com facilidade.

Além disso, o H2V tem alto poder calorífico, quase três vezes superior ao do diesel, da gasolina e do gás natural, de forma que ao ser transformado em energia – por meio do processo de combustão em motores –  ele não emite gases causadores do efeito estufa (GEE). Nesses casos, o hidrogênio residual liberado na atmosfera, em contato com o oxigênio, resulta em vapor d`água.

Vale destacar que o Brasil tem ampla vantagem competitiva para produção de H2V, pois 85% de sua matriz energética é de energia renovável, sendo composta, principalmente, por hidrelétricas.

Futuro promissor

Especialistas do setor energético apontam que a usina-piloto da EDP é a primeira de uma série de iniciativas voltadas à produção de hidrogênio verde no país.

Apenas o governo do Ceará já soma 14 memorandos de entendimento com grupos privados interessados em produzir o combustível no estado.

“Talvez nem todos se viabilizem. Mas se a metade dos acordos se tornar efetiva, teremos o equivalente a uma Itaipu em operação no Ceará entre 2025 e 2030.”, declara Roseane Medeiros, secretária-executiva da Indústria da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado do Ceará (Sedet). A hidrelétrica de Itaipu, a maior do país, tem potência instalada de 14 gigawatts (GW). 

Além disso, Rio Grande do Norte, Piauí, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também informam possuir memorandos assinados com grupos geradores de energia.

Diante de todas as vantagens e interesse do mercado, não é à toa que o H2V é frequentemente apontado como combustível do futuro.

Fontes: Brasil Agora | Um Só Planeta

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