Como Índia, China e Brasil estão fazendo a transição para energia limpa

Se o mundo deve fazer a transição energética para um futuro compatível com o clima? Bem, para essa resposta ser positiva, muito vai depender de inovações em energia limpa e se elas poderão ser implantadas em grande escala. Isso é especialmente crítico para as economias emergentes porque, embora estejam desenvolvendo sua infraestrutura e passando por crescimento econômico e urbanização num ritmo bem acelerado, elas ainda carecem de apoio para a inovação tecnológica encontrada em países mais ricos.

Seis dessas economias emergentes – Brasil, China, Índia, Indonésia, México e África do Sul – contribuíram com mais de 40% das emissões globais de CO₂ em 2019. Isso representa 1,5 vezes as emissões combinadas dos EUA e da Europa. No entanto, ao mesmo tempo, China, Índia e Brasil foram, respectivamente, o primeiro, o quarto e o sexto maiores produtores de eletricidade renovável. Os três países estão agora em um momento crucial, e diante de um imenso potencial para se tornarem grandes inovadores no desenvolvimento de tecnologias de energia limpa. Confira 3 itens que explicam o porquê eles podem não apenas desenvolver seus próprios sistemas sustentáveis, como servir de referência para influenciar as tendências globais.

A notável transição da Índia para LEDs

Em primeiro lugar está a expansão de 130 vezes do mercado indiano de lâmpadas de LED em apenas cinco anos. Usadas por lá ​principalmente para iluminação residencial e lâmpadas de rua, elas são mais eficientes em termos de energia e duram muito mais do que as versões incandescentes, tubulares e fluorescentes compactas.

Estima-se que a transição do LED na Índia economize mais de 40 terawatts-hora de eletricidade a cada ano – aproximadamente o suficiente para abastecer 37 milhões de residências indianas médias ou toda a Dinamarca por um ano. Em três anos, o país cresceu de uma parcela insignificante do mercado global de LED para cerca de 10%.

Energia solar dispara na China

Uma transição igualmente notável ocorreu na China, que se tornou o principal fabricante e maior mercado módulos solares fotovoltaicos, respondendo por 69% da produção global. Nos últimos 40 anos, os custos dos painéis solares diminuíram em mais de 99%, impulsionados recentemente pela fabricação de baixo custo na China.

Entre 2014 e 2018, a China adicionou cerca de 158 gigawatts de energia solar fotovoltaica – quase o mesmo que a capacidade total de geração de energia do Brasil.

Biocombustíveis no Brasil

A terceira referência de sucesso é o crescimento de longo prazo do Brasil para se tornar o maior produtor, exportador e mercado de biocombustível etanol feito de cana-de-açúcar.

Os veículos movidos a etanol aumentaram sua participação nas vendas de carros novos por aqui de 30% em 1980 para 90% em 1985. Depois que o etanol estagnou, na década de 1990, os biocombustíveis foram revividos com a introdução de veículos flex, que usam qualquer mistura de gasolina e etanol. Sua participação aumentou de insignificante em 2003 para 85% dos carros novos vendidos apenas cinco anos depois – e permaneceu constante desde então.

Em todo esse processo existem alguns impactos ambientais e socioeconômicos, como desmatamento para plantações de cana-de-açúcar, a erosão do solo e a poluição do ar e da água. Mas, se olharmos para o ciclo de vida completo do etanol de cana-de-açúcar, da safra ao carro, vamos ver que as emissões de gases de efeito estufa são menores do que as da gasolina ou do etanol de milho.

O que esses países fizeram?

Na Índia, foi uma joint venture de quatro empresas de serviços públicos que comprou as lâmpadas em grandes quantidades e, assim, reduziu os preços por meio de licitações, fez campanhas de marketing nacionais e vendeu os produtos por meio de novos canais de distribuição. Na China, as empresas do setor público forneceram investimentos de capital de risco e empréstimos que permitiram a rápida expansão de startups de energia solar do setor privado. Foi com o apoio do governo a projetos de pesquisadores das maiores universidades que o Brasil conseguiu desenvolver a tecnologia para fazer o etanol competir em custo com a gasolina. Um deles, por exemplo, foi o Projeto Genoma da Cana-de-Açúcar, da FAPESP.

Ao que tudo indica, bons ventos virão

Para acelerar a transição para tecnologias de energia limpa é fundamental o envolvimento do setor público e o investimento em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento, que unem universidades e indústrias. A boa notícia é que, como vimos, essa transição é totalmente possível mesmo em economias que partem de uma posição de desvantagem tecnológica ou econômica. De toda forma, se esses exemplos de vanguarda acontecem em economias emergentes.

Fonte: Revista Pesquisa Fapesp | World Economic Forum

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